Preço do limão dispara mais de 200% no campo e afeta bolso do consumidor

Preço do limão sobe mais de 226% no campo e alta chega ao consumidor

O mercado hortifrúti registra forte pressão nos custos para os consumidores brasileiros, impulsionado principalmente pela disparada recorde no valor do limão tahiti e pelo encarecimento do tomate.

Salto de preços no cinturão cítrico paulista

O preço do limão tahiti registrou alta superior a 226% na ponta produtora ao longo da entressafra. De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a caixa de 27,2 kg paga ao produtor no cinturão cítrico paulista passou de R$ 32,10 em junho para R$ 104,78 em agosto, acumulação que representa um aumento de 226,4%.

Impacto nos supermercados e centrais de abastecimento

Nas centrais de abastecimento, os percentuais de subida foram ainda maiores. Na Ceagesp, na capital paulista, o quilo da fruta passou de R$ 1,82 em maio para R$ 8,62 no pico de setembro, alta de 374%. Nas prateleiras dos supermercados no Grande ABC, a fruta passou a ser encontrada na faixa entre R$ 15,99 e R$ 16,99 o quilo.

Fatores climáticos e demanda

A variação nos preços decorre de condições climáticas adversas nas regiões de Bebedouro e Matão, responsáveis por cerca de 68% da produção do cinturão. Chuvas acima da média e excesso de dias nublados no início do ano prejudicaram o desenvolvimento das floradas, afetaram o pegamento dos frutos e dificultaram os trabalhos de colheita. A menor oferta coincidiu com o aumento da demanda interna motivado pelo calor de agosto e setembro, além da manutenção dos volumes exportados para a Europa, que consomem cerca de 11% da safra nacional. Segundo estimativas de pesquisadores do Cepea/Esalq e da Conab, o volume ofertado deve começar a se regularizar a partir de meados de novembro, com a entrada gradual da nova safra.

Tomate também pressiona a inflação de alimentos

O tomate voltou a ser o grande vilão do orçamento das famílias brasileiras. Após um período de alívio nos preços de alimentos, o fruto registrou uma expressiva alta de 37,76% no mês de setembro, figurando como um dos principais responsáveis pelo repique da inflação de alimentos medida pelo IPCA/IBGE. No entanto, o impacto desse reajuste vem sendo sentido de formas drasticamente diferentes dependendo da região do país.

Disparidade regional nos valores

Na região metropolitana de São Paulo, em especial no ABCD Paulista, os consumidores encontram o quilo do tomate comercializado entre R$ 15,00 e R$ 16,00 nos feirões e supermercados locais. Se no estado de São Paulo o valor do quilo já compromete as compras da semana, no Rio de Janeiro a situação é ainda mais crítica. Em mercados de bairros e atacados fluminenses, a cotação final do fruto chegou a bater a marca dos R$ 22,00 por quilo.

Com o encarecimento simultâneo de itens essenciais na cesta de compras, o planejamento financeiro das famílias exige maior cautela até que a normalização da oferta agrícola traga alívio aos mercados varejistas.

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