
Rio Grande da Serra, 1º de abril de 2026

Em um tom carregado de indignação e orgulho local, o presidente da Câmara Municipal de Rio Grande da Serra, Clauricio Bento, encerrou uma sessão extraordinária sobre a transposição de água da represa Billings para o Taiaçupeba com uma fala que ecoou como um grito de guerra pela defesa histórica do município. Diante do Secretário de Estado de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Anderson Oliveira, e, de representantes da Sabesp, CETESB e SP Águas, Bento pintou RGS como uma cidade “sempre explorada” por empresas estatais, cobrando fiscalização rigorosa e contrapartidas concretas para minimizar os impactos da obra.
A sessão, convocada para discutir os 16 km de tubulação que vão cortar o território serrano, reuniu a sociedade civil e vereadores críticos à Sabesp por problemas crônicos como esgoto a céu aberto, alagamentos e ruas esburacadas – apelidadas por Bento de “queijo suíço” devido à má compactação do solo. No fechamento, o presidente não poupou palavras: “Nós temos uma pedreira que pavimentou toda uma Avenida Paulista. Nós temos uma capela de 1611, onde morreu um tropeiro. Nós temos aqui a segunda estação mais velha do Brasil e sempre fomos explorados. Sempre passou recentemente a Transpetro, agora Sabesp.”
Bento destacou a narrativa de exploração recorrente, comparando o governador Tarcísio de Freitas a Trump por medo de promessas vazias: “Eu espero que o governador Tarcísio não faça que nem o Trump. Que foi lá na Venezuela, entrou, fez o que fez e depois foi embora.” Ele questionou a seletividade da CETESB, que multa o município por qualquer deslize, mas ignora despejos de esgoto da Sabesp nas represas locais, e ironizou a doação de tubos com validade vencida de 10 anos, ou seja, já vencidos!

Fiscalização e Contrapartidas no Centro do Discurso

O mandato de Bento como presidente tem sido marcado por uma postura firme na gestão da Câmara, modernizando a estrutura administrativa e promovendo transparência em audiências públicas. Na fala final, ele reforçou o compromisso da Casa com a CPI da Sabesp, prometendo usar a lei orgânica e o regimento interno para fiscalizar cada etapa da obra. “Nós vamos fiscalizar sim tudo aquilo que a Sabesp for fazer”, afirmou.
Entre as demandas concretas, Bento pediu um ponto focal único – como o secretário Anderson – e um termo de ajuste de conduta ou carta-compromisso oficial. Como contrapartida “irrisória” para uma obra bilionária, sugeriu capa asfáltica completa em bairros como Vila Santa Teresa (1 e 2), Vila Lavinha, Vila Figueiredo e Vila de Suzuki. “Leve essa demanda à Sabesp”, cobrou ao secretário de Obras, Vanderlei, e ao prefeito Akira Auriani, aliado político.
Impacto Político: Um Líder Proativo em Ascensão
A intervenção não só unificou os vereadores em torno de pautas locais, mas posicionou Bento como fiscalizador proativo, preparando o terreno para ações legislativas futuras, como requerimentos e vistorias conjuntas. Sua gestão já é elogiada por pares por trazer respeito à Câmara – antes marcada por “comportamentos inadequados”.
Para Bento, RGS merece um “olhar especial” do Estado, apesar dos 33 mil eleitores: “A água é um bem comum, mas lá em São Paulo todos têm hospital perto, e nós estamos desprovidos.” A sessão terminou, deixando claro que a Câmara não será “frouxa” como gestões passadas.
A Sabesp e CETESB não se pronunciaram imediatamente sobre as cobranças. O secretário Anderson confirmou a possibilidade de um documento formal, abrindo espaço para negociações.

