
Rio Grande da Serra, 29/03/2026

Agressor segue livre enquanto vítima busca justiça e proteção em Rio Grande da Serra
A história de C.C. M. P., 53 anos, que veio a público, é um retrato brutal da impunidade que assola o sistema de justiça brasileiro. No dia 18 de março de 2026, por volta das 19h30, na Vila Lavínia, em Rio Grande da Serra, ela foi vítima de uma tentativa de feminicídio que poderia ter ceifado sua vida.
De acordo com o Boletim de Ocorrência de Autoria Conhecida (E14259-1/2026), registrado na Delegacia de Polícia de Rio Grande da Serra, C. foi brutalmente agredida por seu companheiro, com quem mantém relacionamento desde 2022. O agressor, alcoolizado, atacou a vítima com uma panela de pressão na cabeça durante uma discussão na cozinha de sua própria casa.
O que torna este caso ainda mais grave é que não se trata de um primeiro episódio de violência. Aproximadamente dois meses antes, A vítima havia sido perfurada com uma faca pelo mesmo agressor, deixando cicatrizes físicas e emocionais que evidenciam um padrão de comportamento violento e abusivo.
O Ataque e Suas Consequências
Após ser atingida pela panela de pressão, A vítima conseguiu sair correndo para a rua, onde vizinhos a encontraram ensanguentada. O sangue escorria tão intensamente que sujava o chão da rua, levando populares a acionarem o SAMU. Ela foi levada ao Hospital Nardini para atendimento médico de emergência.
A vítima relata ter ficado atordoada após as agressões, com dificuldade de lembrar com clareza de todos os acontecimentos subsequentes. O trauma físico e psicológico foi tão severo que ela precisou sair de casa e necessita de abrigo temporário na casa de amigos que se solidarizaram.
A Versão do Agressor e a Negação da Realidade

Conforme consta no boletim, a mãe do agressor compareceu à delegacia e tentou oferecer uma versão alternativa dos fatos, alegando que a Vitima havia caído da escada. A vítima nega categoricamente essa versão, reafirmando que os ferimentos foram causados por agressão com arma branca e impacto de objeto contundente.
Essa tentativa de manipulação da narrativa é comum em casos de violência doméstica, onde familiares do agressor frequentemente tentam protegê-lo, perpetuando um ciclo de impunidade que coloca as vítimas em risco ainda maior.
O Agressor Segue Livre

Até o momento, o agressor permanece livre. Não há informações sobre sua prisão preventiva ou qualquer medida cautelar que o impeça de continuar representando uma ameaça à vida da Vítima . Seu RG, data de nascimento e CPF não foram informados no boletim, dificultando ainda mais o acompanhamento do caso.
Essa situação reflete uma falha sistêmica no sistema de justiça criminal brasileiro, onde agressores de mulheres frequentemente permanecem em liberdade enquanto suas vítimas vivem sob constante ameaça.
Medidas Solicitadas e Esperança de Justiça
A vítima solicitou medidas protetivas de urgência contra seu agressor e foi requisitado exame do Instituto Médico Legal (IML) para documentar as lesões. A vítima compareceu à delegacia acompanhada pela conselheira do Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres de Rio Grande da Serra, demonstrando que há instituições locais preocupadas com a proteção das mulheres.
Afirmou que fornecerá posteriormente prontuários de atendimento médico e fotos das lesões, evidências cruciais para o processo judicial.
A Impunidade Como Arma
O caso de C. exemplifica como a impunidade funciona como uma arma nas mãos de agressores. Quando um homem agride uma mulher e permanece livre, a mensagem que se transmite é clara: a violência contra mulheres não tem consequências. Isso empodera novos agressores e desespera vítimas que buscam proteção.
A Lei Maria da Penha (Lei 11.340/06) existe justamente para coibir a violência doméstica, mas sua efetividade depende de um sistema de justiça que funcione com celeridade e rigor. Quando agressores permanecem livres, a lei se torna apenas um papel.
Chamado à Ação
O caso não pode ser apenas mais um número nas estatísticas de violência contra a mulher em Rio Grande da Serra. É necessário que:
- As autoridades competentes atuem com rapidez para garantir a prisão preventiva de Izac Ramos
- As medidas protetivas sejam implementadas imediatamente
- O processo judicial avance sem demoras
- A sociedade civil e as instituições municipais continuem apoiando vítimas como Cleildes
A impunidade mata. E enquanto o agressor permanecer livre, C. viverá sob a sombra do medo, sabendo que seu agressor pode encontrá-la a qualquer momento.

