A prefeitura de Ribeirão Pires promoveu, na Câmara Municipal, a primeira edição da Confraria do Axé, evento que integrou a agenda oficial do Mês da Consciência Negra. A iniciativa prestou tributo a representantes de casas de axé da cidade, destacando a relevância histórica, cultural e social das comunidades tradicionais de matriz africana no município.
Valorização da ancestralidade e diálogo com o poder público
O evento reuniu figuras centrais das religiões afro-brasileiras para celebrar a identidade, os saberes ancestrais e a resistência cultural. Além de ressaltar a importância dos terreiros como núcleos de acolhimento e fortalecimento comunitário, a cerimônia abriu espaço para discussões sobre a liberdade religiosa e o enfrentamento ao preconceito.
“O reconhecimento e o fortalecimento das políticas de igualdade racial são fundamentais para garantir direitos, ampliar oportunidades e promover o respeito à diversidade. Trabalhamos para fortalecer ações que incentivem a participação social, combatam o preconceito e contribuam para uma cidade mais inclusiva, onde todas as pessoas tenham voz e sejam respeitadas”, destacou o secretário de Assistência, Participação e Inclusão Social, Leonardo Biazi.
Luta contínua contra a intolerância
Durante o encontro, autoridades e lideranças enfatizaram que a atenção às comunidades tradicionais deve ir além de calendários comemorativos, exigindo ações concretas e permanentes do poder público na garantia de direitos e proteção aos espaços sagrados.
“Falar das religiões de matrizes africanas é falar de história, ancestralidade, resistência, cultura, identidade e pertencimento. Os terreiros não são apenas espaços religiosos, mas também lugares de acolhimento, solidariedade, preservação cultural e cuidado comunitário. Não queremos apenas ser lembrados em datas comemorativas. Queremos respeito todos os dias, participação nas decisões, políticas públicas e proteção aos nossos espaços sagrados”, afirmou a presidente do COMPIR, Paula Regina Ferreira.
A presidente do conselho complementou: “Nossa luta não é contra nenhuma religião. Nossa luta é contra o preconceito, a discriminação, o racismo e toda forma de violência. A liberdade religiosa é um direito, e o respeito à diversidade é um dever de todos nós. Seguiremos trabalhando pelo diálogo, pela igualdade racial e pela garantia dos direitos de todos os povos e comunidades tradicionais”.
Mapeamento e cadastramento das casas de axé
A programação também impulsionou o levantamento oficial conduzido pelo COMPIR para identificar os terreiros em atividade na cidade. Atualmente, a estimativa inicial aponta cerca de 30 unidades mapeadas, sendo que o cadastramento voluntário permanece acessível para ampliar a representatividade e embasar futuras ações sociais.
As lideranças locais que desejam integrar o registro municipal podem preencher o formulário digital disponibilizado pela administração. A iniciativa reforça o compromisso institucional com a escuta ativa e o desenvolvimento de políticas públicas inclusivas para o povo de santo em Ribeirão Pires.

