Tentativa de Estupro na Vila Suzuki (RGS) Gera Medo e Revolta; Comunidade Aponta Falha do Estado e da Família no Cuidado de Jovem com Esquizofrenia

Rio Grande da Serra, 14/02/2026

Ontem à noite (13), uma tentativa de estupro na Vila Suzuki, em Rio Grande da Serra, gerou pânico e um sentimento de impotência entre os moradores. O suspeito do ato é um jovem, identificado pela comunidade como Andrey, que sofre de esquizofrenia e já é conhecido na região por outros episódios de comportamento agressivo. A vítima, que conseguiu escapar e pediu para não ter o nome revelado, relatou momentos de terror, enquanto a comunidade cobra uma atitude das autoridades, temendo que uma tragédia maior aconteça.

O ataque ocorreu a noite, quando a Mulher voltava do seu trabalho e foi surpreendida pelo rapaz. Em um depoimento forte e carregado de pavor, ela descreveu a agressão.

“Ele tava com as calça arriada, com negócio duro, encostando, coçando na minhas perna. Deus me perdoe, parecia um cachorro grudado em mim, sabe? Parecia um cachorro no cio em cima de mim. Falei: ‘meu Deus do céu, não acredito que eu passei por isso’, e que eu tava passando naquele momento. Quando eu percebi que era ele e a forma que ele tá com as calça agachada, fazendo aquilo comigo, falei: ‘não acredito’, e gritando, e batendo nele, ele correndo se escondeu na casa dele.”

O relato da vítima, que ainda está em estado de choque, é o estopim de uma tensão que, segundo vizinhos, cresce há meses.

Um Problema Anunciado

O agressor, identificado como Andrey, é diagnosticado com esquizofrenia. Contudo, o que antes era visto por alguns como um problema de saúde, agora é encarado pela vizinhança como uma ameaça crônica e crescente. Segundo relatos de moradores, esta não seria a primeira vez que Andrey comete atos de natureza sexual. A situação é ainda mais grave: informações dão conta de que ele já responde por um crime semelhante na cidade de São Paulo.

Além das acusações formais, os vizinhos relatam um padrão de comportamento transgressor e assustador. “Ele se masturba na rua, em plena luz do dia, sem se importar com quem está passando, se tem criança ou mulher”, afirma um morador local. Essa rotina de atos obscenos alimenta o pânico, especialmente entre os pais.

De acordo com moradores que preferem não se identificar por medo de represálias, há Relatos de perseguição a mulheres e comportamento inadequado são frequentes. A principal queixa da comunidade é a aparente inércia da família e do poder público.

“Todo mundo aqui sabe que ele tem problema. A gente não quer o mal dele, a gente quer que ele seja tratado. Mas enquanto isso não acontece, nós ficamos em perigo”, desabafa uma moradora, mãe de duas meninas. “O medo agora é que ele faça isso com uma criança. A gente liga pra polícia, eles vêm, conversam e vão embora. Dizem que, por causa da doença, não podem fazer muita coisa. E nós, como ficamos?”

A situação expõe uma complexa e perigosa lacuna entre a saúde pública e a segurança. A comunidade se sente abandonada, presa entre a empatia pela condição do jovem e o medo real por sua própria segurança. A percepção é de que a condição psicológica do rapaz serve como um escudo que o impede de ser responsabilizado ou de receber o tratamento compulsório necessário para que não represente um risco para si e para os outros.

O Dilema: Saúde Mental e Segurança Pública

O caso de Andrey não é isolado e joga luz sobre um grave problema social: a falta de estrutura do Estado para lidar com indivíduos que, em surto ou sem o tratamento adequado para transtornos mentais severos, cometem crimes. A legislação brasileira prevê a medida de segurança, que inclui a internação compulsória em hospitais de custódia e tratamento psiquiátrico, para casos de inimputáveis (pessoas que não podem ser responsabilizadas criminalmente por seus atos devido à doença mental) que representam perigo.

A policia foi chamada porém nada pode fazer pela debilidade mental do acusado. No entanto, a aplicação dessa medida depende de um longo processo judicial, e a falta de vagas e de estrutura adequada no sistema de saúde mental muitas vezes deixa essas pessoas e as comunidades ao redor em um limbo perigoso.

Enquanto uma solução definitiva não é encontrada, a população da Vila Suzuki vive com a pergunta que ninguém quer responder: quem será a próxima vítima e o que precisa acontecer para que o Estado finalmente intervenha de forma eficaz? O grito da mulher agredida ecoa como um alarme que há muito tempo vem sendo ignorado.