Fantasma de 2015 Assombra Rio Grande: Sabesp Insiste em Projeto que Já Deixou Destruição.

Rio Grande da Serra, 22/01/2026

A história parece se repetir em Rio Grande da Serra. Uma nova e grandiosa obra da Sabesp, prometendo segurança hídrica para a Grande São Paulo, reacende na população local o fantasma de 2015: um rastro de degradação ambiental e promessas não cumpridas. Enquanto a concessionária avança com seus planos para uma nova adutora a ser concluída até 2027, a cidade se pergunta: quem pagará a conta, mais uma vez?

A memória do cidadão de Rio Grande da Serra não é curta. Em 2015, sob a gestão do então governador Geraldo Alckmin, a interligação dos sistemas Rio Grande e Alto Tietê foi apresentada como um marco de desenvolvimento. A promessa era de melhorias no abastecimento e progresso para o município. O que se viu, no entanto, foi o oposto. A obra deixou cicatrizes profundas na paisagem local, com a destruição de nascentes e a degradação de áreas verdes, sem que nenhuma contrapartida significativa fosse deixada para a cidade que cedeu seu território e seus recursos naturais.

O sentimento de abandono não é apenas uma lembrança. É uma realidade contínua. Em 2024, a Secretaria do Verde e Meio Ambiente do município aplicou uma multa de mais de R$ 882 mil à Sabesp devido a incêndios em tubulações abandonadas da empresa. O incidente foi um lembrete doloroso e concreto de que o “legado” da obra anterior não foi desenvolvimento, mas sim um problema ambiental e de segurança que persiste até hoje.

Diante desse histórico, a desconfiança com o novo projeto é total. No ano de 2025, em uma tentativa de virar a página, uma comitiva liderada pelo vereador Claurício Bento foi a Brasília. O objetivo era claro: pedir ao agora vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, que intercedesse junto à Sabesp para a retirada das antigas e problemáticas tubulações. As conversas iniciais soaram promissoras, trazendo um sopro de esperança.

Arquivo RPN

Contudo, a esperança durou pouco. A Sabesp, aparentemente indiferente aos apelos da comunidade e de seus representantes políticos, revelou que seus planos são outros. A empresa não só manterá suas estruturas como avançará com uma nova interligação de 38,1 km, cruzando diversas cidades da região, com previsão de término para 2027.

A justificativa oficial, divulgada pela própria companhia, é a necessidade de aumentar a oferta de água para a capital e a Região Metropolitana. Para Rio Grande da Serra, no entanto, a pergunta que fica no ar é a mesma de quase uma década atrás: e as contrapartidas? Que benefícios concretos a cidade terá ao, mais uma vez, suportar os impactos de uma obra monumental em seu território?

O presidente da câmara municipal Vereador Clauricio Bento disse: “Que a câmara municipal irá cobrar efetivamente, e fiscalizar a contrapartida para o município que já sofre com a falta de água”.

Até o momento, o diálogo é nulo e as respostas são vagas. A população teme que a história se repita em uma escala ainda maior: mais transtornos, mais impacto ambiental e, ao final, mais descaso. O desenvolvimento regional não pode, mais uma vez, acontecer às custas do bem-estar e do patrimônio ambiental de Rio Grande da Serra.

A cidade, marcada por feridas antigas, observa cada movimento da concessionária com atenção e ceticismo. A comunidade exige transparência, respeito e, acima de tudo, a garantia de que o progresso de alguns não signifique o sacrifício de muitos. A conta da água da metrópole não pode, novamente, ser paga com a degradação de Rio Grande da Serra.