
Rio Grande da Serra, 20/11/2025

Oito em cada dez pessoas afirmam perceber diferenças no tratamento dispensado a pessoas brancas e negras, de acordo com um levantamento do Instituto Cidades Sustentáveis em parceria com a Ipsos-Ipec.
A pesquisa, divulgada em 20 de novembro de 2025, coletou respostas de 3.500 entrevistados em dez capitais brasileiras através de um painel virtual. Os dados foram coletados entre 1º e 20 de julho de 2025, com 54% dos participantes se declarando pretos ou pardos e 43% brancos, apresentando uma margem de erro geral de dois pontos percentuais.
Os locais onde a discriminação é mais percebida incluem shoppings e estabelecimentos comerciais como lojas, bares e restaurantes, seguidos pelo ambiente de trabalho, ruas e espaços públicos, e instituições de ensino. Embora esse padrão se repita na maioria das capitais, os percentuais variam, com Salvador e Belém registrando maior percepção de tratamento desigual em shoppings e comércios (65% e 62%, respectivamente), enquanto Goiânia e Manaus apresentaram percentuais menores (51% e 50%).

A pesquisa também revelou um forte consenso sobre a gravidade do racismo, com 75% dos entrevistados concordando total ou parcialmente que o racismo é um problema central em suas cidades e deve ser enfrentado com políticas públicas específicas. Um percentual idêntico (75%) concorda que a violência policial afeta principalmente pessoas negras. Além disso, 72% acreditam que o aumento da representatividade negra na política ou em cargos de poder contribui para a diminuição das desigualdades estruturais.
Embora haja um consenso sobre a existência do racismo, a população negra defende com maior veemência políticas afirmativas, como cotas raciais. O levantamento indica que 13% dos pretos e pardos entrevistados apoiam a criação de cotas raciais em cargos decisórios, em comparação com 8% dos brancos. Em contrapartida, 18% dos brancos se declararam a favor da eliminação de cotas raciais em universidades, ante 12% dos negros. Igor Pantoja, coordenador do Instituto Cidades Sustentáveis, sugere que as políticas públicas de equidade podem estar mais avançadas do que a percepção social.
Adicionalmente, quase metade dos entrevistados (50%) declarou que a população negra é mais afetada por problemas em serviços essenciais, como acesso à água potável, coleta e tratamento de esgoto. Percentuais semelhantes (48% e 50%) indicam que a população negra é mais impactada por deslizamentos de encostas, desabamentos de casas e inundações. O estudo foi cofinanciado pela União Europeia como parte do programa ‘Fortalecimento da sociedade civil e dos governos locais para a implantação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável’.

