
Rio Grande da Serra, 09/11/2025

Relato de moradora que acionou a polícia após suposta fraude expõe um sentimento generalizado de impotência e desrespeito na cidade; queixas vão da quantidade de combustível à qualidade do produto.
Uma sensação de desconfiança tem se tornado companheira constante dos motoristas de Rio Grande da Serra na hora de abastecer. A dúvida sobre estar recebendo a quantidade correta de combustível pelo qual se pagou, ou mesmo sobre a qualidade da gasolina, é uma reclamação crônica na cidade. Recentemente, o caso da moradora Kátia Pontes trouxe o problema à tona de forma contundente, ilustrando a impotência que muitos sentem.
Kátia viveu o que descreve como ter sido “roubada na cara dura”. Após pedir para abastecer um determinado valor em um posto local, ela notou que o ponteiro do combustível não se moveu. “Eu andei com o carro daqui ali, voltei e falei: ‘moço, cê não abasteceu ainda?’. Ele respondeu que sim”, conta ela, ainda indignada.
A resposta do frentista foi a primeira de uma série de justificativas que Kátia considera inaceitáveis. “Um rapaz responsável pelo posto veio e falou: ‘ah, moça, teu carro tá com problema no módulo. Dá uma volta com ele que o ponteiro vai subir'”. Com o mesmo carro há seis anos e sem nunca ter tido tal problema, Kátia recusou a explicação.
Determinada, ela acionou a Polícia Militar. Os policiais realizaram o teste de medição na bomba, que, para a surpresa de Kátia, foi aprovado. O laudo técnico indicava que o equipamento estava regular. A orientação que recebeu do policial, no entanto, revela a complexidade do problema: “ele disse pra mim: ‘se a senhora foi lesada, pode ter sido por ser humano, só que não tem como provar, porque a senhora não ficou em pé do lado da bomba olhando o abastecimento'”.
A experiência de Kátia não parece ser um fato isolado. Após compartilhar sua história, ela ouviu relatos semelhantes de outras pessoas que se sentiram lesadas no mesmo estabelecimento. As queixas na cidade são antigas e variadas, indo desde a “bomba baixa”, que entrega menos combustível do que o registrado, até suspeitas sobre a qualidade do produto, com relatos de carros falhando ou apresentando problemas de desempenho após abastecer em determinados locais.
Para provar seu ponto, Kátia foi a outro posto, abasteceu o mesmo valor e o resultado foi imediato: “deu quatro ponteiros no meu carro”, afirmou, reforçando sua convicção de que havia sido enganada.
A Palavra de Ordem é Vigilância
O episódio serve de alerta para todos os consumidores. A recomendação dada pela polícia a Kátia é a principal ferramenta de defesa do motorista: a vigilância. Especialistas e órgãos de defesa do consumidor orientam seguir um pequeno ritual ao parar no posto:
- Desça do carro: Não acompanhe o abastecimento pelo retrovisor. Fique ao lado da bomba.
- Verifique se a bomba foi zerada: Antes do frentista iniciar o abastecimento, confira se os visores de litros e valor a pagar estão zerados.
- Acompanhe o processo: Observe o fluxo do combustível e os números subindo no visor até o final.
- Peça a nota fiscal: O documento é a principal prova em caso de necessidade de reclamação formal junto a órgãos como o Procon ou a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Para Kátia Pontes e tantos outros moradores, a questão vai além do prejuízo financeiro. “Não é uma questão de dinheiro, é uma questão de respeito”, desabafa. O sentimento é de que a honestidade está em jogo e de que a palavra do consumidor, muitas vezes, tem pouco valor diante de um sistema difícil de fiscalizar, deixando uma ferida aberta na relação de confiança que deveria ser a base de qualquer serviço.

