Rio Grande da Serra, 09/09/2025

Mais uma vez, a rotina de centenas de famílias de Rio Grande da Serra foi abruptamente interrompida na manhã desta terça-feira. Pais que se dirigiam às escolas municipais para deixar seus filhos foram pegos de surpresa por portas fechadas e avisos de paralisação por tempo indeterminado. A nova greve é deflagrada pelos funcionários da empresa IGEVE, terceirizada responsável por serviços em diversas unidades de ensino, em protesto por salários que, segundo eles, estão atrasados há pelo menos seis meses.

A situação, que se arrasta há um semestre, atinge diretamente a prestação de serviços essenciais como alimentação, manutenção e limpeza, forçando o fechamento de creches e escolas e expondo a fragilidade de um sistema que parece se arrastar-se.

O Nó da Disputa: Repasses e Silêncio Oficial

A IGEVE, empresa envolvida, justifica a falta de pagamentos aos seus colaboradores alegando que não tem recebido os repasses devidos pela Prefeitura Municipal, conforme estabelecido em contrato. Este é o cerne do impasse que coloca funcionários e a comunidade em xeque.

No entanto, a Prefeitura de Rio Grande da Serra e, notadamente, o Secretário de Educação, Vinicius Brum, mantêm silêncio sobre o novo incidente. Não houve qualquer manifestação pública ou esclarecimento sobre a crise que paralisa o ensino em importantes escolas da cidade, como as da Vila Lopes, Santa Tereza, Vila São João, Centro e Vila Figueiredo. Nos bastidores, comenta-se que uma nova empresa deverá assumir os serviços apenas no final do ano, quando o contrato com a IGEVE se encerra. Até lá, a expectativa é que os funcionários da atual prestadora de serviços sigam nesse ciclo de “recebe e não recebe”, mês após mês.

O Grito dos Pais e a Angústia dos Funcionários

O impacto da paralisação recai diretamente sobre os ombros dos pais, que se veem sem alternativa para a guarda dos filhos, comprometendo sua jornada de trabalho. Amanda Grasi, mãe de uma criança de 3 anos, relata o drama: “Hoje não fui trabalhar por conta de não haver funcionários nas creches pra fazer as refeições das crianças, meu filho tem 3 anos e não tenho onde o deixar. Só nos confirmaram às 06:30 que não poderia levar as crianças à creche.”

A indignação é palpável. “Como mãe estou indignada. Minha filha merece que os direitos dela sejam garantidos, direito de uma educação de qualidade. Coisa que o município está deixando a desejar”, desabafa Dilma Oliveira.

Nas redes sociais, a ansiedade e o desespero dos colaboradores da IGEVE são visíveis. Muitos expressam a aflição de não ter como arcar com as contas básicas do mês. A situação tem gerado um movimento de solidariedade por parte das mães de alunos, que reconhecem o sofrimento dos funcionários da terceirizada.

Perguntas Sem Respostas

O episódio reaviva questionamentos urgentes que ecoam pela cidade: Até quando essa situação permanecerá? Até quando funcionários serão tratados sem o respeito e a dignidade mínimos? Até quando o silêncio das autoridades manterá pais e mães reféns da incerteza, impedindo-os de trabalhar em paz? Até quando os colaboradores da IGEVE serão obrigados a seguir suas atividades sem ter seus honorários em dia?

Essas são as perguntas que aguardam respostas e que apenas uma mesa de negociação transparente entre a IGEVE e a Prefeitura Municipal pode, de fato, endereçar, dando um ponto final ao sofrimento de tantos.