Moradores do Jardim Nakamura cobram solução imediata da Prefeitura para falta de iluminação pública

Rio Grande da Serra, 17/07/2025

A comunidade da Vila Niwa, localizada no Jardim Nakamura, em Rio Grande da Serra, vive há três meses no escuro. A única fonte de luz nas ruas vem das casas dos próprios moradores. São cerca de 80 famílias diretamente afetadas pela ausência de iluminação pública em cinco vias: viela Maritaca, ruas Pixoxo, Urutau, Beija-flor e Vladas Gostautas.

Apesar de a Enel já ter instalado postes e cabeamento, o serviço de instalação dos braços e luminárias — que é de responsabilidade da Prefeitura — segue parado. Nem mesmo um ofício da Defensoria Pública, emitido em abril, que concedia 20 dias para a execução dos serviços, foi suficiente para resolver a situação.

Enquanto isso, todos os moradores continuam pagando R$ 29,65 por mês na conta de luz, referente à Taxa de Iluminação Pública. “A gente paga por algo que não tem. Toda vez que vamos até a Prefeitura eles dizem que está faltando alguma peça. Uma hora é a abraçadeira, outra é a luminária. A gente já perdeu a esperança”, relata Carlos Santos da Silva, morador da viela Maritaca.

A falta de iluminação agrava o sentimento de insegurança. “Aqui dentro é tranquilo, porque a gente se conhece. Mas fora, no escuro, qualquer pessoa pode entrar no bairro. Fica perigoso”, completa Silva.

Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública, Rio Grande da Serra foi a única cidade do ABC paulista que piorou nos índices de criminalidade de janeiro a maio deste ano. Os homicídios cresceram 50%, os roubos 13,33% e os furtos aumentaram em 32,3%. A iluminação precária em alguns bairros, como o Jardim Nakamura, pode contribuir para esse cenário, e recentemente dois homicídios já ocorreram nas proximidades da comunidade.

A Enel declarou que a responsabilidade pela iluminação pública é da Prefeitura e que apenas repassa os valores da taxa arrecadada. A Defensoria Pública recomendou a suspensão da cobrança da taxa para os moradores do Jardim Nakamura e também isenção para aqueles inscritos no Cadastro Único, mas até agora não houve resposta oficial do município.

Em nota, a Prefeitura afirma que o bairro passa por análise judicial por estar em área de manancial e com ocupação irregular. Disse ainda que será feita uma nova avaliação técnica nas vias citadas e que, na rua Vladas Gostautas, dois pontos de luz já foram instalados.

Enquanto a burocracia se arrasta, os moradores seguem esperando por uma solução simples: luz nos postes.