Fechamento da UPA Infantil de Ribeirão Pires gera impacto direto na saúde de Rio Grande da Serra

Rio Grande da Serra, 16/06/2025.

Foto divulgação/PMETRP

O encerramento das atividades da UPA Infantil de Ribeirão Pires, ocorrido recentemente, tem provocado repercussões negativas não apenas entre os moradores locais, mas também em cidades vizinhas, como Rio Grande da Serra, que há anos contava com a unidade como parceira estratégica no atendimento de urgências pediátricas.

Inaugurada em abril de 2021, durante a gestão do ex-prefeito Clóvis Volpi e em pleno pico da pandemia da Covid-19, a UPA Infantil rapidamente se consolidou como referência na região do ABC. Com estrutura exclusiva para atender crianças em situações de emergência, a unidade se destacou por oferecer agilidade, acolhimento e profissionais especializados, algo ainda raro nos municípios vizinhos.

A Prefeitura de Ribeirão Pires chegou a comemorar, em abril de 2024, a marca de mais de 100 mil atendimentos realizados. Na época, Clóvis Volpi, já como secretário de Saúde, exaltava a importância da UPA Infantil, classificando-a como “uma das grandes conquistas para a cidade”. Mas, apenas alguns meses depois, a mesma gestão decidiu desativar o serviço.

Segundo a nota oficial, o espaço da UPA será utilizado para abrigar uma nova ala de maternidade no Hospital e Maternidade São Lucas – Unidade Santa Luzia, ainda sem previsão para funcionamento. Enquanto isso, o atendimento infantil emergencial passou a ser remanejado para o mesmo local onde são atendidos adultos, ainda que com triagem separada.

Reflexo direto em Rio Grande da Serra

Para Rio Grande da Serra, que não possui UPA Infantil própria, a medida representa um retrocesso direto na rede de saúde pública infantil da região. Em casos de urgência, os pais agora terão que recorrer à cidade de Mauá, onde o atendimento pediátrico também enfrenta alta demanda, gerando filas e tempo de espera prolongado.

A cidade de Rio Grande mantinha, informalmente, a UPA Infantil como referência de apoio para emergências pediátricas, especialmente em horários em que as Unidades Básicas de Saúde estão fechadas ou não comportam casos mais complexos.

Com o encerramento da unidade, famílias de bairros mais distantes ou de menor renda se veem em situação ainda mais vulnerável, sem acesso rápido a atendimento infantil especializado. “Não basta dizer que tem triagem separada. Quem é pai ou mãe sabe que criança não espera. Cada minuto faz diferença num atendimento de emergência”, relatou uma moradora do Parque América.

Falta de planejamento e queda na qualidade

O fechamento repentino e sem estrutura alternativa reforça a sensação de desorganização e descompromisso com a saúde infantil por parte do Prefeito Guto Volpi. A alegação de que a UPA foi apenas uma medida de contingência na pandemia é vista por muitos como uma tentativa de justificar a falta de planejamento e de priorização na área da saúde.

Para quem mora em Rio Grande da Serra, a expectativa agora é de que o governo municipal se mobilize para encontrar alternativas e garantir a cobertura adequada de urgência pediátrica — seja por meio de convênios com Mauá, reforço no atendimento nas UBSs, ou pressão junto ao governo estadual.

Enquanto isso, o sentimento que fica entre moradores da região é de retrocesso. Um serviço que antes era motivo de orgulho e segurança para as famílias, hoje virou mais um símbolo da instabilidade e fragilidade da saúde pública regional.