
Rio Grande da Serra, 23/02/2026

O que deveria ser uma garantia básica para o acesso à educação se tornou uma fonte diária de angústia e incerteza para dezenas de famílias em Rio Grande da Serra. Desde o início do ano letivo de 2026, alunos da Escola Estadual Cora Coralina, no bairro Parque América, enfrentam a ausência do transporte escolar prometido pelo governo estadual, expondo uma grave falha na gestão pública e no cumprimento de um direito fundamental.
A Promessa Que Não Saiu do Papel
No início do ano, a promessa era clara e trouxe alívio aos pais: em uma semana, vans estariam disponíveis para levar as crianças à escola. Contudo, os dias se transformaram em meses, e o serviço nunca foi implementado. A comunidade escolar se vê em um limbo, com tentativas de contato com a secretaria da escola resultando em respostas vagas ou, na maioria das vezes, em silêncio.
A situação se torna ainda mais questionável quando relatos indicam que ônibus escolares circulam vazios pela cidade, sugerindo não uma falta de veículos, mas uma aparente desorganização logística ou burocrática. “Minha filha de seis anos foi matriculada na Cora Coralina no início do ano. Disseram que em uma semana teria transporte, mas até agora nada”, desabafa uma mãe de três filhos, que reside na Vila Lídia e preferiu não se identificar. “Não consigo levá-los todos ao mesmo tempo. A gente liga para a secretaria, mas não temos respostas concretas.”
Enquanto algumas poucas crianças teriam sido contempladas com o transporte antes do carnaval, a maioria continua aguardando, criando uma situação de desigualdade dentro da própria comunidade escolar. A alegação da secretaria sobre a “falta de vagas” nos ônibus se choca diretamente com os relatos de veículos circulando sem passageiros.
Questionado sobre a possibilidade de uma intervenção municipal, o secretário de educação da cidade, Vinicius Brum, foi taxativo ao delimitar as responsabilidades. “A Escola Cora Coralina é de competência estadual. Não conseguimos (e nem podemos) interferir”, explicou. Ele orienta os pais a procurarem a URE – Unidade Regional de Ensino, sediada em Mauá, que é o órgão responsável pelas escolas estaduais na região, incluindo Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra.
O Direito à Educação em Jogo
A negligência na oferta do transporte escolar não é apenas um transtorno logístico; é uma barreira real que pode levar à evasão escolar e comprometer o desenvolvimento educacional das crianças. Famílias já sobrecarregadas com suas rotinas de trabalho são forçadas a arcar com custos extras ou a realizar verdadeiros malabarismos para garantir que seus filhos não percam aulas.
É imperativo que a Diretoria de Ensino de Mauá e a Secretaria Estadual de Educação respondam com urgência. A comunidade escolar da Cora Coralina não precisa de mais promessas, mas de uma solução imediata e definitiva que coloque os ônibus para funcionar e as crianças na sala de aula, onde é o lugar delas. A questão que fica no ar é: quantas semanas mais serão necessárias para que o direito à educação deixe de ser apenas uma palavra no papel e se torne realidade para esses alunos?

