
Rio Grande da Serra, 9/01/2026

Um plano da Sabesp para transferir um grande volume de água da Represa Billings para o Sistema Alto Tietê está gerando grande preocupação entre especialistas e moradores. O projeto, que prevê a retirada de aproximadamente 80% da água do braço do Rio Pequeno, em São Bernardo do Campo, pode causar sérios impactos ambientais e colocar em risco o abastecimento de água para toda a região do Grande ABC, incluindo o município de Rio Grande da Serra.
A proposta da companhia de saneamento é construir uma tubulação subterrânea de cerca de 40 quilômetros. Esse duto passaria por baixo das cidades de Santo André, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, com o objetivo de levar a água até a represa de Taiaçupeba, em Mogi das Cruzes. A operação transportaria um volume impressionante de 4 mil litros de água por segundo.
O impacto no abastecimento de Rio Grande da Serra
Embora a tubulação apenas atravesse o subsolo de Rio Grande da Serra, o principal temor dos especialistas é o impacto na fonte de água de toda a região. A bióloga e professora da USCS, Marta Marcondes, alerta que a Represa Billings é um reservatório estratégico para o Grande ABC. Retirar uma quantidade tão significativa de água para abastecer outro sistema produtor pode diminuir drasticamente a disponibilidade hídrica local.
Na prática, isso significa que em períodos de seca ou de maior consumo, a região, incluindo Rio Grande da Serra, ficaria mais vulnerável à falta d’água. A segurança hídrica do Grande ABC seria comprometida para reforçar o sistema da capital e Grande São Paulo, criando um desequilíbrio que pode levar a racionamentos e desabastecimento no futuro.
As consequências para o meio ambiente
Além do risco ao abastecimento, o projeto traz consigo graves ameaças ambientais. A construção de uma adutora com 40 quilômetros de extensão é uma obra de grande porte que, inevitavelmente, afeta o ecossistema local.
- Desmatamento e Solo: A escavação para instalar os dutos, mesmo que subterrânea, exige a abertura de canteiros de obras e acessos, o que pode levar ao desmatamento de vegetação nativa ao longo do trajeto que corta áreas de manancial em Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. A remoção da cobertura vegetal e a movimentação de terra aumentam o risco de erosão e assoreamento de córregos e da própria represa.
- Fauna e Flora: A obra pode interferir diretamente no habitat de diversas espécies de animais e plantas. O barulho, a vibração e a alteração do ambiente podem afugentar a fauna local e destruir a flora em pontos específicos do percurso da tubulação.
- Qualidade da Água: A própria retirada de um volume tão grande de água do braço do Rio Pequeno pode alterar o equilíbrio ecológico da Billings. Com menos água, a concentração de poluentes tende a aumentar, piorando a qualidade do que resta no reservatório e dificultando o tratamento para consumo humano.
Diante do cenário, a iniciativa da Sabesp exige um debate público transparente e a apresentação de estudos de impacto ambiental e hídrico detalhados, que justifiquem a real necessidade da obra e garantam que a solução para um lado não se torne um grande problema para os moradores e o meio ambiente do Grande ABC.

