Rio Grande da Serra, 13/08/2025

Em uma sessão marcada por intensos debates e críticas à gestão estadual, a Câmara Municipal de Mauá rejeitou, nesta terça-feira (12), a proposta de conceder o título de Cidadão Mauaense ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). O projeto, de autoria do vereador Mazinho (PL), foi barrado por uma margem apertada, com 12 votos contrários e 11 favoráveis.
A decisão reflete um crescente descontentamento de parte do Legislativo municipal com a atuação do governador na região do Grande ABC. Vereadores alegaram que Tarcísio de Freitas não tem demonstrado contribuições efetivas para o desenvolvimento de Mauá e dos demais municípios da aglomeração.

Um dos votos mais contundentes veio do vereador Wellington da Saúde (PSB), que utilizou uma experiência pessoal para justificar sua posição. Ele relatou que sua irmã, uma professora contratada, foi prejudicada por regras estaduais após passar por uma cirurgia. “Posso votar a favor de um cara desse? Nunca mais na minha vida”, declarou o parlamentar, visivelmente indignado.
O presidente da Câmara, Juninho Getúlio (PT), também se manifestou contrariamente à homenagem, enfatizando que o título de Cidadão Mauaense deve ser reservado àqueles que prestaram serviços verdadeiramente relevantes à cidade. Getúlio apontou que, após quase três anos de mandato do atual governo estadual, demandas cruciais para Mauá, como apoio ao Hospital Nardini, construção de creches e melhorias na infraestrutura asfáltica, continuam sem avanço significativo junto ao governo de São Paulo.
O cenário de insatisfação, no entanto, não se restringe apenas a Mauá. Prefeitos das sete cidades que compõem o Grande ABC também têm expressado preocupações e reclamado de compromissos assumidos por Tarcísio de Freitas que, segundo eles, ainda não foram cumpridos. As principais áreas de queixa incluem habitação, mobilidade urbana, drenagem e saúde, setores vitais para o cotidiano da população regional.
A rejeição do título em Mauá se soma a um coro de vozes que questionam a prioridade e o investimento do governo estadual no Grande ABC, evidenciando um distanciamento entre as expectativas locais e as ações do Palácio dos Bandeirantes.

